Declaração - Intervenção nos Plenários de Abril na Autoeuropa

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 Declaração

É do conhecimento geral que atravessamos neste momento uma crise generalizada que afecta a economia a nível mundial. E é do conhecimento geral também que esta crise tem tido impacto igualmente na actividade da Autoeuropa. No entanto, esta situação de crise não pode de forma alguma ser justificação para que seja levado a cabo contra os trabalhadores qualquer ofensiva aos seus direitos e garantias.

 
Se a crise realmente existe, também não deixa de ser verdade que o grupo VW registou, no ano 2008 em relação a 2007, um aumento de 4,5% no volume de negócios (113,8 mil milhões €) e um crescimento de 15% no lucro líquido (4,75 mil milhões €), tendo o lucro operacional subido de 6,2 mil milhões € para 6,3 mil milhões €.
 
Em relação à Autoeuropa, a VW pôs à disposição da fábrica portuguesa 541 milhões € e, mais recentemente, foi anunciado pelo governo português o chamado Plano de Apoio ao Sector Automóvel que contempla um total de 900 milhões € para atribuir às empresas do sector para que estas enfrentem as dificuldades da crise económica, através de acções de formação que podem decorrer durante um ano e que garantem os salários por inteiro aos trabalhadores. Não esquecer inclusivamente o próprio empenho de responsáveis da Autoeuropa na elaboração deste plano em conjunto com o governo.
 
Se a tudo isto juntarmos o facto de que os 5 principais administradores do grupo VW terem visto as suas remunerações anuais aumentadas de 16,5 milhões € para 45,4 milhões €, o que representa um aumento de 175% em comparação com os 5,8% que os trabalhadores da Autoeuropa terão para os próximos 2 anos, é nosso dever assumir a seguinte posição: Os trabalhadores da Autoeuropa já contribuíram muito para ultrapassar as dificuldades surgidas; As cedências que todos fizeram tiveram impacto negativo nos ganhos de cada um e impacto positivo nos ganhos da empresa;
 
As soluções para esta situação de crise estão há vista, tal como já a cima enunciado; Os lucros do grupo alcançados no passado (dos quais a Autoeuropa também contribuiu para o bolo) devem agora servir para enfrentar a crise;
 
Os trabalhadores não podem mais ser os prejudicados, pagando a factura de algo que estes não têm qualquer responsabilidade;
 
Os trabalhadores têm que resistir a qualquer ofensiva da administração.