VW Autoeuropa: que diálogo?

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Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram em Julho de 2016 uma proposta de caderno reivindicativo em Plenário e mandataram a CT para negociar com a Administração da empresa.

Decorreram as negociações durante um largo período, tendo sido estabelecido um “pré-acordo” e posto à consideração dos trabalhadores em Plenário, nos quais a Comissão Sindical do SITE-Sul levantou várias questões incluindo os valores salariais.

No dia 14 de Novembro os trabalhadores em referendo dizem Não aos resultados apresentados.

As negociações são retomadas e são melhorados os valores salariais.

Dia 14 de Dezembro, novo referendo e os trabalhadores voltam a dizer Não.

Verificam-se, posteriormente, algumas alterações que correspondiam aos anseios dos trabalhadores, incluindo a retroatividade a partir de 1 de Outubro de 2016.

Acontece que, para quem sempre encheu a boca de “diálogo”, neste processo passou-lhes ao lado o direito dos trabalhadores se pronunciarem sobre as novas medidas anunciadas.

Foi louvável a atitude dos membros da lista C, de tudo fazerem para que os trabalhadores que aprovaram a sua reivindicação fossem respeitados e sujeitos activos até ao final do processo, aliás como tornaram público.

Ficamos a saber quanto vale um “Sim” e quanto vale um “Não” dos trabalhadores da Autoeuropa..

Quando os trabalhadores dizem Sim, surgem as noticias na comunicação social, são elogiados e surgem os campeões do diálogo.

Em todo este processo, silêncio total da comunicação social, e a conclusão que os trabalhadores podem tirar é que, afinal, os campeões do diálogo têm pés de barro.

Aos que desta vez “suspenderam” o diálogo, quando não se consegue respeitar os limites a que os trabalhadores tem direito, é natural que surja a falta de confiança.